Tópico: ‘eu quero um site’

Quando fica pronto?

julho 19th, 2012

Assunto tinhoso esse, de prazos. É sempre assim: No final da reunião, depois de horas negociando todos os detalhes do projeto, resolvido o preço e a forma de pagamento, ocorre o momento mais tenso – quando o cliente pergunta

— quando fica pronto?

A resposta exata para esta pergunta é absolutamente inadmissível em uma reunião de negócios: Nunca.

É, pois é, na minha profissão é assim: o “produto” que eu vendo nunca fica pronto. Um website, na verdade, não é um produto como um livro que o autor escreve, o gráfico imprime e a editora vende. Website é um serviço. Eu costumo dizer aos meus clientes que eles estão adquirindo sarna para se coçar. E é verdade, ou, pelo menos, condiz com tudo o que eu tenho escrito aqui neste blogfolio. Um website é um serviço contínuo, que obviamente passa por um período de criação e desenvolvimento e que, um dia, será associado a um registro de domínio e, assim, disponibilizado ao grande público através da internet.

— E neste dia, digamos, de inauguração do website, ele estará “pronto”?

Não. O “dia da inauguração” costuma ser um dos dias em que mais ideias aparecem para aprimorar o website, das mais variadas formas. É quando o presidente da empresa de fato visita o site, mostra pros amigos, colhe suas próprias impressões e anota sugestões para melhorar aqui e ali. É quando também o editor e o webmaster têm os primeiros resultados da visitação e já começam a pensar em ajustes e melhorias. Em outras palavras, o website que no início do dia estava “pronto”, no final da tarde tem uma lista enorme de coisas a fazer.

Mas eu não posso dizer “nunca” na hora em que me pedem um prazo. Não convém. Então vamos trocar o “quando fica pronto?” por questão um pouco mais complexa, mas que na prática quer dizer exatamente o mesmo:

— Qual é o tempo mínimo necessário para a criação e desenvolvimento do website e seu sistema administrador, para a arquitetura da informação, a organização e publicação de conteúdo?

Ah, agora a pergunta complicou, e merece uma resposta igualmente complicada, cheia de senões e dependências. Depende da urgência, da verba disponível, da quantidade e qualidade do conteúdo a ser publicado, e quanto mais esmiuçarmos o projeto, encontraremos mais pontos de entrave. Alguns fatores inerentes ao projeto dificultam: Um website é um projeto em que vários profissionais interagem – programadores, designers, jornalistas, secretárias, fotógrafos, estagiários, presidentes – e nem sempre interagem em sincronia. As equipes mudam de acordo com a demanda do projeto e também de acordo com as necessidades pessoais de cada um dos envolvidos.

— Mas há que se definir um prazo, e pare de enrolar, que você já escreveu mais de 400 palavras e ainda não me disse: QUANDO FICA PRONTO?

Digamos que o conteúdo – texto, imagens, vídeos, áudio etc – estejam prontos e revisados, que o layout já foi aprovado em todas as esferas hierárquicas da empresa, que a operação do sistema administrativo foi assimilado pela equipe de atualização, então OK, podemos definir o prazo de desenvolvimento do website em X dias.

— Ótimo. Meu site será lançado daqui a X dias.

Sim, enfim chegamos a um acordo, mas estamos partindo de premissas utópicas. A experiência cotidiana me mostra outra realidade.

  • O conteúdo é uma coisa infinita, tanto em tamanho como em complexidade, e quem edita conteúdos sabe – quanto mais se edita, mais se encontra o que editar. E website é assim mesmo: atualização constante, renovação constante.
  • O layout costuma ser aprovado em instâncias – uma primeira versão é apresentada ao editor de conteúdo, depois ao departamento de comunicação da empresa cliente, depois à gerência, depois à diretoria e enfim à presidência, na véspera do dia da inauguração. Cada uma das instâncias colabora com críticas e sugestões. Caso aconteçam muitas alterações no projeto inicial, todas as instâncias deverão ser revisitadas.
  • O sistema administrativo sempre parte de um básico e evolui para uma ferramenta que atenda bem  às necessidades específicas do cliente, e isso é um processo gradativo que começa a funcionar bem quando o cliente coloca, de fato, a mão na massa para trabalhar, isto é, depois da inauguração do website.

Portanto, vamos pingar alguns conselhos para uma boa negociação de prazos e a consequente redução do stress global na hora fatídica do ‘quando fica pronto?’

  • Quando uma data define o prazo – um hotsite de uma data comemorativa, ou o lançamento de um projeto imobiliário, ou qualquer outra razão que imponha um limite real – mãos à obra porque o relógio não para. Mas quando não houver uma data pré-definida, faça primeiro uma estimativa (15 ou 20 dias, ou 45 a 60 dias, dependendo do tamanho do projeto) para, em uma reunião posterior, estipular uma data concreta para a inauguração do website.
  • Sejamos claros e realistas na definição do prazo.  Um cliente consciente das adversidades que ocorrem durante o desenvolvimento de um website e do trabalho que dá para atualizar o conteúdo, será mais compreensivo na hora de negociar um prazo dentro das possibilidades de ambas as partes. Um cliente iludido ou mal informado nunca vai considerar o website “pronto” o suficiente para ser inaugurado.
  • Entenda o funcionamento da empresa do seu cliente para poder oferecer a melhor opção para manutenção e/ou atualização de software. Alguns merecem acompanhamento e atualizações constantes, outros podem preferir optar pelo upgrade anual ou querer montar um pacote de serviços e melhorias a posteriori.
  • Defina no contrato uma “data limite para inauguração” do website que transcenda alguns detalhes “inacabados” que podem ser melhorados/consertados depois que o site estiver aberto à visitação. Muitos clientes que pressionam o prazo durante todo o período de desenvolvimento, quando chega a hora de inaugurar o website, interrompem o processo porque “o presidente que fará a aprovação final está viajando” ou outro motivo qualquer.
  • Em projetos em que não haja um deadline definido, não vincule, no contrato de serviços, o pagamento final à data de inauguração do website. Por definição, o pagamento contra-entrega de uma coisa que nunca fica pronta tende a encrencar.
  • Dê uma margem razoável para as intempéries que nos pegam de surpresa – bugs, acidentes, granizo, doenças, demoras na propagação de DNS etc, e coloque o website no ar com alguns dias de antecedência no servidor e domínio definitivos. No dia da inauguração apenas troque o conteúdo do ‘robots.txt’ de modo a habilitar a visitação dos robôs indexadores.
  • Faça uma festa na inauguração do website. E convide o webmaster.

 

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Eu não quero um site, mas estou sendo obrigado a ter um. Você faz para mim?

abril 20th, 2012

Vamos explicar melhor: a pergunta “eu quero um site, você faz para mim?” é tão comum na minha rotina que eu resolvi escrever a respeito. E o assunto rendeu tanto que já escrevi 6 artigos com variações sobre o mesmo tema.

Mas, depois de alguns anos estudando e analisando o comportamento desta suposta pessoa leiga e por vezes ingênua que eu inventei em meus artigos para representar o pensamento médio das pessoas de verdade que vêm me consultar a respeito de websites, Cheguei a uma conclusão terrível, paradoxal, mas que explica muita coisa antes inexplicável dentro da relação webmaster – cliente: Este, no fundo do seu subconsciente, na verdade NÃO QUER ter um site. Ele na verdade PRECISA ter um website porque toda a sociedade o pressiona, o sistema capitalista exige, o concorrente da esquina já tem um e outro dia inaugurou uma página no Facebook também.

Os mais letrados na Web-cultura irão fazer a comparação com a velha máxima do guru Jakob Nielsen: “Como os Usuários Lêem na Web? … Não lêem .” . Poderíamos dizer, neste mesmo modelo: “Como os clientes querem um site na web? … Não querendo.”

É fato: o Cliente não quer um site. Ele, no máximo, precisa de um. E se decidir por fazer um, vai encarar os custos como mais uma conta a pagar no fim do mês e não como investimento. E ele ainda terá que se virar para atualizar o conteúdo para que o site não inverta sua função e passe a contestar a imagem da sua marca ou da sua empresa. O que mais se vê por aí são empresas bem estabelecidas com sites antiquados, desatualizados ou com “páginas em manutenção” que mais difamam do que divulgam.

O Cliente que não quer um site frequentemente já teve péssimas experiências com amadores e/ou picaretas que os convenceram de que ‘fazer um site é fácil, a gente monta um rapidinho’ . São vários os relatos de gente que pagou adiantado para fazer um site que não saiu do protótipo; gente que usou todo o capital reservado na produção do site e não há dinheiro para contratar alguém para atualizar a home page de tempos em tempos; e outras histórias tristes em que a moral é sempre a mesma: conheça o profissional que você está contratando. Procure uma segunda opinião. Compare não só preços. Cuidado, muito cuidado com as soluções baratas e fáceis ao mesmo tempo.

O Cliente que não quer um site tende a ignorar o parágrafo 43 do contrato de serviços – “o cliente é o responsável pela coleta e organização das informações, bem como pela posterior rotina de atualização do conteúdo”. – Ilustrações, fotos, videos e qualquer coisa que não seja texto não serão cogitados: o cliente que não quer um site tem um bloqueio psicológico que o faz esquecer que um site precisa de fotos, vídeos, ilustrações e infográficos e etc e que tudo isso precisa ser planejado e orçado. Muitos citam o filho do vizinho que prometeu fazer o site com videos, slideshows, flash e tudo mais por 400 reais. Alguns perguntam se a gente não faria tudo de graça para depois receber quando entrar um patrocinador. A maioria fala “Tá, coloca umas imagens free aí. depois eu penso nisso”.

O cliente que não quer um site, como ele já deixou claro, não quer um site, e obviamente também não quer nem saber de redes sociais. Se o site já dá esse trabalho todo, imagina ter que gastar ainda mais horas ‘compartilhando’ no twitter e no facebook. Não é (só) aquela velha questão da real importância das redes sociais, que os gráficos das revistas sempre mostram em crescimento exponencial, uma onda avassaladora mas que nunca chega naqueles seus amigos que só usam o computador para baixar emails. É a estranha sensação de que o trabalho nas redes sociais não é “sério”, não é “business”. É mais uma brincadeira que se retroalimenta de seguidores e que, como tudo na internet, é uma faca de dois gumes bem afiados.

Os clientes que não querem um site raramente se interessam em medir o retorno do investimento. Como expliquei acima, eles contabilizaram o custo do site na coluna de despesas. Métricas serão sempre um assunto desinteressante, bom para gastar tempo nas reuniões com gráficos bonitos, mas ali, mais uma vez, está a retórica da internet falando a respeito dela mesma. Não interessa muito, ao cliente que não quer um site, saber que o site teve um incremento de visitantes na área XYZ porque nenhum desses gráficos mostra, na verdade, quantos desses visitantes vieram de fato a consumir/contratar o seu produto/serviço e, no final das contas, gerar grana no bolso dele.

Mesmo assim, eles precisam de um site, e eu farei este site para eles, e farei também o possível para mostrar que produzir e atualizar um site pode ser um excelente exercício diário para o cliente pensar e repensar o seu negócio e que poderá agregar bastante valor ao seu produto/serviço. Ter um site exige, de certa forma, um planejamento estratégico de marketing. Exige acompanhamento regular dos resultados da visitação para a tomada de decisões. Além de servir de ferramenta de divulgação do seu produto/serviço, o site também trará muita consciência ao empreendedor que investiu em sua produção.

 

 

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Web Designer x Filho do Vizinho. Quem faz o melhor site?

novembro 12th, 2010
Hello Kitty

Obrigado ao site http://xuxxu.blogspot.com. O que essa imagem está fazendo aqui? Continue lendo.

Essa questão é polêmica e não pretendo, aqui, chegar a uma resposta conclusiva à pergunta enunciada. Mas achei pertinente escrever alguns tópicos sobre o assunto que vão ilustrar bem o tormento que é saber escolher o prestador de serviços mais adequado para montar o seu site. Leia Mais »

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Eu quero um site (parte 4) para… bem, não sei ainda…

julho 15th, 2010

Diz o ditado que um homem, para se afirmar como tal, deve escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Esse clichê está ultrapassado: no mundo moderno precisamos realizar várias outras tarefas para obtermos um mínimo de hombridade. Quem não tem um endereço de e-mail, hoje em dia, é encarado como um alienígena. Ter um site, um blog ou ao menos participar de um site de networking social também já é considerado como “essencial” para quem tem uma empresa e quer divulgar seu produto e serviço na internet. Leia Mais »

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O site que eu quero te vender é o site que você quer comprar?

fevereiro 4th, 2010

O site que eu quero te vender deveria ser o site que você gostaria de ter. Se houvesse tempo para termos longas conversas, disponibilidade para aprender novas concepções de marketing, ferramentas de produção de mídia, ações em redes sociais e, principalmente, intenção em informar além de vender produtos e serviços. Leia Mais »

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Eu quero um site (parte 3)

outubro 22nd, 2009

Em Thu, 22 Oct 2009 11:58:28 -0200, Fulana escreveu:

Obrigada Eduardo pela sua rápida resposta. Só mais uma última pergunta que esqueci: as atualizações. Eu gostaria de fazê-las eu mesma mas caso a opção fosse para que você as faça esporadicamente, quanto seria o custo? Você cobraria algum fee mensal? Leia Mais »

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Eu quero um site (parte 2)

outubro 22nd, 2009

Olá, fulana

Será um prazer ajudá-la a montar o seu website.

Meus sites têm, de fato, propostas e layouts bem diferentes um do outro, essa é uma das vantagens da minha profissão: a diversidade – aparecem clientes com fábricas artesanais de chocolate (do Helio – www.chocomundo.com.br), acompanhamento de jogos no maracanã (fimdejogo.com.br), designers de jóias (www.brunoguidi.com.br), sociedades médicas (www.endocrino.org.br) e assim por diante. Cada projeto me ensina muito. Leia Mais »

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Eu quero um site, você faz para mim?

agosto 28th, 2009

Sim,… quer dizer, não… ahn… sim e não. Eu faço o site, mas não sou eu quem faço TODO o site. Para que vocês entendam como eu trabalho:

Um website nada mais é que um conjunto de páginas com textos, fotos, desenhos, mapas, vídeos e áudios e alguns formulários para o leitor preencher. Portanto, a equipe envolvida tem que dividir as tarefas e criar, publicar e atualizar todo esse material. Uma equipe básica se compõe de: Leia Mais »

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  • Eduardo Frick

    Atualmente em versão 4.6, Eduardo é Webmaster, webdesigner, web-consultor, web-coordenador de projetos. Tem longa experiência em produção gráfica e é fluente em diversas mídias.

    É carioca da gema, mas mora em Mogi das Cruzes, São Paulo. De seu escritório/estúdio, projeta e cria websites, coordena equipes de desenvolvimento e de conteúdo, recruta e supervisiona o trabalho de analistas, programadores, fotógrafos, ilustradores, animadores, redatores e demais especialistas que garantem serviços de qualidade aos seus clientes espalhados por todo o Brasil.

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