O site que eu quero te vender é o site que você quer comprar?

fevereiro 4th, 2010
by edufrick

O site que eu quero te vender deveria ser o site que você gostaria de ter. Se houvesse tempo para termos longas conversas, disponibilidade para aprender novas concepções de marketing, ferramentas de produção de mídia, ações em redes sociais e, principalmente, intenção em informar além de vender produtos e serviços.

Se o mundo fosse maior, a rotação planetária mais lenta e, por isso, o dia mais longo, talvez o cenário acima fosse possível. Mas não é. O tempo urge, e os clientes querem o site pronto antes mesmo de preparar o material para as 3 páginas clássicas que todo site tem, com nomes e tipologias diversos: “Quem somos”, “Onde estamos” e “O que fazemos”.

O mundo é pequeno, apressado e desinformado. Muitas das pessoas que me procuram em busca de um website não sabem direito por que ou para que querem/precisam de um website. Sabem que precisam, porque são empresários ou profissionais e a concorrência já tem um website. Ou porque os clientes perguntam “qual seu endereço na web?” ou estranham o endereço de email sem um domínio personalizado.

Então, vamos relacionar algumas verdades que o meu futuro cliente deve saber, mas sempre teve medo de perguntar, em forma de diálogo franco.

  1. Dá trabalho montar um site?
    Dá, principalmente para você, cliente amigo. É você o empreendedor, portanto ninguém melhor que você para definir o escopo do projeto, ordem de grandeza do investimento a ser realizado, equipe de produção e de atualização constante, entre outros ítens básicos para se começar um site. Eu, é claro, vou auxiliá-lo em tudo, até contratando pessoal especializado em texto, fotografia, video, animação e onde mais for necessário. Mas quem vai dizer se determinado texto ou foto ou video está adequado ao site, é você.
  2. Se eu vou fazer isso tudo, estou te pagando para o que mesmo?
    De posse dessas informações iniciais, vou auxiliá-lo na escolha da melhor plataforma de programação, do provedor e do plano de hospedagem mais apropriado, na definição da equipe que vai trabalhar no site; farei o projeto gráfico de acordo com a identidade visual da sua empresa, a programação HTML dentro dos mais altos padrões de qualidade e usabilidade. Dependendo da necessidade, irei contratar programadores especializados. Opcionalmente, eu posso tratar de eventuais atualizações de software e hardware, prestar consultoria em redes sociais, multimídia, métricas, enfim, ajudar ao cliente a parametrizar os resultados das visitas ao site para poder avaliar o resultado do investimento.
  3. Um site assim vai demorar meses pra ficar pronto, eu tenho uma reunião hoje com um cliente. Você não tem outra solução mais rápida?
    Eu não, mas existe quem faça. As agências de webdesign trabalham em outro ritmo, normalmente com prazos apertadíssimos, equipe grande e orçamento proporcional. Mesmo que eu quisesse, não conseguiria competir. Mas há demanda para todos os tipos de trabalho.
  4. Meu prazo é apertado, eu não tenho orçamento pra contratar uma agência ou uma equipe. Nem sabia que isso seria necessário. O que fazer então?
    O tamanho e os atributos de uma equipe de produção são proporcionais ao prazo, ao tamanho e a complexidade do site. A equipe é pequena ? então diminua o tamanho do projeto até que essa equipe dê conta dele. Se vários serviços que seriam feitos por várias pessoas serão acumulados em um só infeliz, o prazo de execução deverá ser esticado na mesma medida. No caso extremo do “bloco do eu sozinho”, prepare-se para assumir todos os postos de trabalho: redator, fotógrafo, diretor de arte, administrador do conteúdo e que também vai receber os emails de contato dos clientes e verificar os comentários recebidos no site, assim como alimentar o twitter e orkut com as novidades. Rapidinho você pega o jeito. Considere que:

    1. Um website, a não ser que seja acompanhado de uma maciça campanha publicitária, não ganha notoriedade da noite para o dia. Por isso o “prazo apertado” é muito mais uma deliberação do que uma realidade.
    2. Um website não fica “pronto” nunca. No dia seguinte ao lançamento, já é saudável uma atualização de conteúdo. A corrida tecnológica e as novidades na Internet também forçam constantes aprimoramentos no layout e na programação dos sites. Por isso é comum que a mesma equipe que desenvolveu o site seja contratada para fazer a “manutenção” de todas as facetas do projeto: layout, tecnologia, conteúdo, mídia, etc. Se a sua equipe é você sozinho, arranje algumas horas por semana para se dedicar ao seu novo serviço.
  5. Imagina, quem foi que falou de manutenção, atualização de conteúdo, rede social, eu não quero nada disso, eu só quero um site pra mostrar na reunião que eu vou ter hoje à tardinha com o cliente e… (interrompido)
    É, então estamos falando de coisas diferentes. Sou capaz até de contestar a necessidade de criar um website. Talvez um portfolio impresso ou uma apresentação no powerpoint sejam mais adequados aos seus objetivos e orçamento. Provavelmente você de fato precisa de um website, mas um website cumpre mal a função de uma apresentação em uma reunião. É como usar uma tesoura de jardim pra cortar a unha.

Portanto, meu caro, minha sugestão é: evite conceber o seu website como um cartão de visitas melhorado, e/ou um portfolio para você mostrar pessoalmente para os seus clientes, e/ou um formulário para as pessoas agendarem visitas, e/ou um conjunto de páginas institucionais falando de objetivo, missão e valores, e/ou uma estante de produtos que você quer vender. Na verdade, isso tudo é o que você quer que o site faça, mas não é nem de longe o que o seu cliente quer. Eu procuro fazer websites focados no que o cliente do cliente quer, e isto significa: conteúdo que agrega conhecimento, estrutura primorosa, webstandards e simplicidade gráfica.

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2 Responses to “O site que eu quero te vender é o site que você quer comprar?”

  1. cristina dissat Says:

    Vc tem toda razão. Essa seria a conversa ideal e complica mais quando, na sua cabeça, vem ideias fantásticas de desenvolvimento de projetos. Como o card sorting e depois testes de usabilidade. Sinto uma certa angústia de encontrar tempo e verba para aplicar isso nos clientes. O tempo deles não é o tempo real, na maioria absoluta das vezes. Abs, Cris

  2. admin Says:

    Exato Cris, e digo mais: num próximo artigo falarei mais do pós-lançamento de um site. A galera se preocupa e gasta demais com a produção inicial e depois larga o site às baratas. Mal se sabe que existem meios de se medir o retorno do investimento.

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  • Eduardo Frick

    Atualmente em versão 4.6, Eduardo é Webmaster, webdesigner, web-consultor, web-coordenador de projetos. Tem longa experiência em produção gráfica e é fluente em diversas mídias.

    É carioca da gema, mas mora em Mogi das Cruzes, São Paulo. De seu escritório/estúdio, projeta e cria websites, coordena equipes de desenvolvimento e de conteúdo, recruta e supervisiona o trabalho de analistas, programadores, fotógrafos, ilustradores, animadores, redatores e demais especialistas que garantem serviços de qualidade aos seus clientes espalhados por todo o Brasil.

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